Entrevista – Dr. Sérgio Caniço.
A medicina dentária atravessa hoje uma transformação em que a excelência clínica se cruza cada vez mais com tecnologia, design e experiência. Em Braga, a Clínica Caniço materializa essa evolução numa nova unidade premium de 650 m², com 14 gabinetes, tecnologia de última geração e uma arquitetura inspirada numa galeria de arte, onde conforto, privacidade e personalização assumem um papel central.
À frente deste projeto está o Dr. Sérgio Caniço, fundador e CEO da Clínica Caniço, responsável por transformar um pequeno consultório familiar numa marca de referência nacional em implantologia avançada, reabilitação oral, estética dentária e medicina estética. Um percurso construído entre ambição empresarial, exigência clínica e uma visão muito particular sobre o futuro da saúde e do bem-estar.
Com um investimento entre 3,5 e 4 milhões de euros, a nova unidade representa o maior projeto da história da Clínica Caniço e abre uma nova etapa para a marca. Falámos com o Dr. Sérgio Caniço sobre esta evolução, sobre o significado de criar uma experiência premium na área da saúde, o papel da tecnologia, a importância da confiança e da personalização e sobre a visão que pretende levar a Clínica Caniço para o futuro.
Hoje, o conceito de luxo está cada vez mais associado à privacidade, ao tempo e à personalização. Como é que estes valores se traduzem na Clínica Caniço?
Hoje, quando falamos de luxo, penso muito mais em tempo, privacidade, conforto e atenção ao detalhe do que em ostentação. E isso esteve muito presente na criação desta nova Clínica Caniço.
Temos uma geração de pacientes, muitos deles entre os 40 e os 60 anos, que traz consigo experiências menos positivas com o dentista. Há pessoas que chegam com receio, que passaram anos a adiar tratamentos ou que simplesmente não gostam de estar numa clínica dentária. Por isso, quisemos mudar essa relação.
A arquitetura teve aqui um papel muito importante. Não queríamos criar apenas uma clínica bonita. Queríamos criar um espaço onde as pessoas se sentissem confortáveis, quase como se estivessem na tranquilidade da sua própria casa.
A escolha da madeira de nogueira, da pedra, dos materiais desenvolvidos com a Paredes, dos pilares, das texturas, das cores e da iluminação foi feita precisamente para criar essa sensação de conforto e sofisticação. Os quadros e as peças de arte têm também um papel importante. Não estão ali apenas como decoração. Representam a ligação entre a medicina e a arte, que está muito presente na nossa forma de trabalhar.
Existe uma preocupação muito grande com a luz, com os materiais, com os percursos dentro da clínica e com a privacidade de cada pessoa. E depois existe o tempo. Através da tecnologia e de um planeamento muito rigoroso, conseguimos reduzir etapas, organizar melhor os tratamentos e, em muitos casos, diminuir o número de consultas.
Para mim, esse é um dos maiores luxos que podemos proporcionar: um espaço onde a pessoa se sente bem e um processo pensado para respeitar o seu tempo.

Existe uma fronteira entre medicina de excelência e uma experiência premium? Ou acredita que as duas áreas estão cada vez mais próximas?
Acredito que uma não pode existir sem a outra. A medicina tem de estar sempre no centro. O diagnóstico, a competência clínica, a segurança e a qualidade do resultado são a nossa prioridade. Mas existe uma dimensão que considero igualmente importante: a forma como o paciente vive todo o processo. Ninguém gosta particularmente de ir ao dentista. E isso é ainda mais evidente na nossa faixa etária de pacientes, muitos dos quais tiveram experiências negativas no passado.
Foi por isso que quisemos trazer para a clínica uma sensação de conforto que normalmente associamos à nossa própria casa. A arquitetura ajuda muito nisso. A nogueira, a pedra, os diferentes materiais e texturas, a luz, as cores, os pilares e a seleção das obras de arte criam um ambiente muito diferente daquele que normalmente associamos a uma clínica dentária. Mas a experiência não termina na arquitetura.
Começa na receção, continua com as gestoras de pacientes, com as assistentes dentárias, com os médicos e com todas as pessoas que fazem parte da equipa. Cada contacto conta. É esse conjunto de pequenos momentos — a forma como somos recebidos, acompanhados, informados e cuidados — que faz com que uma experiência clínica possa ser verdadeiramente diferenciadora.
A arquitetura cria o ambiente. A medicina cria o resultado. E a equipa é aquilo que liga as duas coisas.
Na sua opinião, o que procura atualmente um paciente que escolhe uma clínica premium?
O paciente procura segurança. Quer saber que está a ser acompanhado por uma equipa que conhece profundamente aquilo que está a fazer e que existe um plano concreto para o seu caso. O nosso paciente típico está entre os 40 e os 60 anos. Muitas vezes procura melhorar a estética do sorriso, recuperar dentes perdidos ou resolver situações que foi adiando ao longo dos anos. E existe uma preocupação muito grande com quatro coisas: estética, conforto, personalização e naturalidade.
Não procuram simplesmente dentes mais brancos ou um sorriso diferente. Procuram um resultado que faça sentido para a sua idade, para o seu rosto e para a sua vida. Por isso, cada tratamento começa muito antes de qualquer intervenção. Fazemos um estudo aprofundado do caso, utilizamos software de planeamento, scanner intraoral e tomografia computorizada e, a partir daí, construímos uma proposta de tratamento.
No fundo, o paciente procura sentir que existe um método por trás daquilo que estamos a propor e que o resultado não depende do acaso.
Existe o risco de a tecnologia tornar a medicina demasiado impessoal? Como procura equilibrar inovação e relação humana?
A tecnologia aumentou enormemente as nossas possibilidades. Não diminuiu a importância do médico. Hoje conseguimos estudar um caso com uma precisão que seria impensável há alguns anos. Cada tratamento parte de um planeamento aprofundado, suportado por software avançado, scanner intraoral e tomografia computorizada. Isso permite-nos antecipar problemas, planear com maior precisão, reduzir o número de consultas necessárias e manter um padrão clínico consistente.
Mas existe uma parte do nosso trabalho que continua deliberadamente artesanal. As facetas cerâmicas e as próteses são desenhadas à mão. Há uma componente de precisão, sensibilidade e experiência que nenhuma tecnologia substitui. E depois existe todo o lado humano.
A receção, as gestoras de pacientes, as assistentes dentárias, os médicos e todas as pessoas que acompanham o paciente ao longo do tratamento. Uma boa tecnologia pode tornar um tratamento mais preciso. Mas é uma boa equipa que transforma esse tratamento numa experiência em que o paciente se sente verdadeiramente acompanhado.

Como se encontra o equilíbrio entre aquilo que um paciente deseja e aquilo que, enquanto médico, considera clinicamente adequado?
A nossa filosofia começa por ouvir. Temos de perceber o que o paciente procura, quais são as suas expectativas, o que o incomoda e o que gostaria de mudar. A partir daí, apresentamos a nossa visão enquanto médicos e construímos a solução em conjunto.
Mas existe uma regra que para nós é fundamental: qualquer tratamento tem de respeitar três dimensões — saúde, estética e longevidade. Não faz sentido fazer um tratamento apenas porque é aquilo que o paciente pediu se, clinicamente, não for a melhor solução. Da mesma forma, não acredito numa medicina que diga simplesmente ao paciente aquilo que não pode fazer.
O nosso papel é encontrar alternativas. Por vezes, isso significa explicar que é necessário tratar primeiro outro problema. Outras vezes, significa ajustar uma expectativa ou mostrar que existe uma solução diferente daquela que a pessoa inicialmente imaginava. O importante é que o paciente seja ouvido e que perceba por que razão estamos a recomendar determinado caminho.
Não queremos impor a nossa visão ao paciente. Queremos acrescentar conhecimento àquilo que ele procura e encontrar uma solução que seja simultaneamente estética, saudável e duradoura.
Crescer de um para 14 gabinetes implica uma transformação profunda. Como preserva a identidade da marca à medida que esta cresce?
A identidade da Clínica Caniço não está no número de gabinetes. Está no método. Ao longo dos anos fomos formando médicos e construindo uma forma de trabalhar muito própria. O chamado padrão Caniço resulta precisamente dessa consistência.
Hoje, quando um médico entra para a equipa, não começa simplesmente a trabalhar. Existe uma integração, formação e acompanhamento para garantir que compreende os nossos protocolos e o nível de exigência que esperamos.
O Dr. Bernardo e o Dr. David são dois exemplos desse processo. Foram médicos que cresceram dentro da Clínica Caniço e que hoje assumem uma responsabilidade clínica muito importante. O objetivo é que um paciente tenha a mesma confiança no nosso trabalho independentemente do médico que acompanha o caso.
Hoje somos cerca de 40 colaboradores e temos a expectativa de chegar aos 50 até ao final do ano. O desafio passa por crescer mantendo aquilo que considero essencial: o mesmo método, o mesmo nível de exigência e a mesma responsabilidade perante cada paciente.

O acidente que sofreu em 2024 marcou uma mudança na sua vida profissional. O que essa experiência lhe ensinou sobre liderança, prioridades e futuro?
O acidente de 2024 foi um marco importante na história da Clínica Caniço, mas não diria que foi o momento em que percebi a importância de delegar. Essa era uma mudança que já vinha a preparar há algum tempo. Ao longo dos anos fui formando médicos dentro da clínica e criando uma equipa capaz de assumir cada vez mais responsabilidade.
Quando aconteceu o acidente, essa estrutura foi posta à prova. O Dr. Bernardo e o Dr. David foram dois pilares fundamentais nesse período e asseguraram a continuidade clínica com o mesmo padrão de exigência. Foi uma confirmação de que o método que fomos construindo ao longo dos anos não dependia apenas de uma pessoa.
A partir daí, esse protocolo clínico foi sendo ainda mais estruturado e replicado junto dos restantes médicos da equipa. A grande transformação aconteceu também na gestão. Passei a concentrar muito mais energia na estruturação dos departamentos de recursos humanos, financeiro e marketing e na definição da estratégia da clínica.
Hoje, com cerca de 40 colaboradores e uma estrutura a caminho dos 50, o meu papel é cada vez mais pensar no futuro da organização e garantir que conseguimos crescer sem perder aquilo que nos trouxe até aqui.
Para mim, liderança é criar uma equipa suficientemente preparada para que o padrão não dependa de uma única pessoa.
Que espaço existe para uma marca portuguesa competir num segmento cada vez mais sofisticado e global?
Acredito que existe muito espaço. A Clínica Caniço nasceu em Braga e conseguiu construir uma relação com pacientes de todo o país e também com comunidades portuguesas no estrangeiro, sobretudo na Suíça, França e Luxemburgo.
Esses pacientes viajam até Braga porque encontram aqui uma combinação que valorizam: competência clínica, tecnologia, personalização e resultados naturais. Temos ainda uma vantagem importante: conhecemos muito bem o nosso paciente.
Grande parte das pessoas que nos procura tem entre 40 e 60 anos e procura resolver questões que têm impacto na sua saúde, na estética do sorriso e na qualidade de vida. Não precisamos de copiar modelos internacionais.
Temos de construir uma identidade própria e conseguir elevar essa identidade a um nível que seja reconhecido fora de Portugal. Acredito que uma marca portuguesa pode competir perfeitamente neste segmento se tiver consistência, método e capacidade de entregar aquilo que promete.
A nossa ambição é que Braga seja o lugar onde esta história começou, mas não necessariamente o lugar onde termina.
A internacionalização faz parte dos planos da Clínica Caniço?
Sim. Faz parte da nossa visão para os próximos anos. A Clínica Caniço está em Braga há 28 anos. Esta nova unidade, com os 14 gabinetes já em funcionamento, representa um novo capítulo de uma história que já tem uma base muito sólida. Agora queremos tirar partido de toda esta estrutura, da equipa que construímos e dos protocolos clínicos que fomos desenvolvendo ao longo destes anos para pensar no próximo passo.
A expansão para o Porto e para Lisboa faz sentido. São duas grandes cidades onde já temos pacientes e onde existe uma procura por aquilo que fazemos. E depois existe naturalmente uma dimensão internacional.
Já recebemos pacientes de vários países europeus, sobretudo da Suíça, França e Luxemburgo, que viajam até Braga para realizar tratamentos. Isso mostra-nos que a nossa área de influência já ultrapassa a cidade e até o próprio país.
Mas não queremos crescer apenas por crescer. Queremos garantir que aquilo que construímos em Braga — os protocolos, a formação dos médicos, a organização da equipa e o padrão clínico — pode ser replicado noutras localizações sem perder consistência.
Braga é a nossa origem e tem 28 anos de história. O próximo desafio é levar essa história mais longe.
Interview with Dr Sérgio Caniço
Dentistry is entering a new era in which clinical excellence increasingly meets technology, design and personalised experiences. In Braga, Clínica Caniço reflects this evolution through a new 650 sqm premium unit featuring 14 treatment rooms, advanced technology and architecture inspired by an art gallery.
At the centre of this new chapter is Dr Sérgio Caniço, founder and CEO of Clínica Caniço, who has transformed a small family practice into a recognised name in advanced implantology, oral rehabilitation, dental aesthetics and aesthetic medicine.
With an investment of between €3.5 and €4 million, the new clinic represents the largest project in the company’s history. We spoke with Dr Sérgio Caniço about the evolution of the brand, the meaning of premium healthcare, the role of technology and personalisation, and his vision for the future of Clínica Caniço.