Chatbot para apoiar vítimas de crime e violência
Os jovens fazem parte de um ambiente digital cada vez mais complexo. Apesar de se sentirem mais conectados e produtivos, muitos relatam uma menor sensação de segurança online. Segundo o Global Online Safety Survey,pesquisa da Microsoft com dez anos de levantamento contínuo e mais de 130 mil entrevistas em 37 países, os riscos digitais estão a crescer e a impactar a vida dos jovens, destacando-se casos de discurso de ódio (35%), fraudes (29%) e ciberbullying (23%). Mesmo assim, há pontos positivos: 72% dos adolescentes procuraram ajuda depois de enfrentarem alguma situação arriscada, e o número de relatos aumentou pelo segundo ano consecutivo, refletindo maior resiliência e consciência sobre a necessidade de pedir apoio.
Em Portugal, em 2025, a Linha Internet Segura (LIS) recebeu 949 casos de cibercrime e violência, um aumento homólogo de 39%, sendo as burlas e a extorsão os crimes mais reportados. Estes números refletem a dimensão crescente dos riscos digitais e sublinham a necessidade de novas ferramentas de apoio que consigam responder com rapidez, fiabilidade e segurança às necessidades de quem procura ajuda, especialmente nos primeiros momentos, quando cada minuto conta.
Em 2026, o apelo à ação é urgente: se a indústria não oferecer experiências seguras e adaptadas à idade, jovens podem perder acesso à tecnologia. Perante esta realidade, a Microsoft Portugal reafirmou seu compromisso com tecnologia ética, apoiando o lançamento do Chatbot da Linha Internet Segura APAV – Chatbot, criado em parceria com a Microsoft, a Visual Thinking e a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). A ferramenta faz parte do Centro Internet Segura (CIS), consórcio que reúne entidades como Microsoft Portugal, Centro Nacional de Cibersegurança, EduQA I.P., IPDJ, FCT e APAV.
Neste contexto, o chatbot foi concebido para oferecer apoio imediato, informação fiável e orientações práticas a vítimas de crime e violência, mas também a familiares, amigos e qualquer pessoa que procure saber como agir perante situações de risco. Construído com tecnologia Azure OpenAI, disponibilizada pela Microsoft, permite experiências seguras e fiáveis, ajustadas às necessidades reais de quem recorre à Linha Internet Segura. Esta iniciativa representa um avanço significativo na utilização da IA como instrumento de proteção e capacitação digital.
A nível europeu, o projeto insere-se numa estratégia de promoção de ambientes online mais seguros e de serviços de apoio inovadores e responsáveis.

IA responsável para reforçar a segurança e aumentar a confiança
O chatbot funciona como um primeiro ponto de contacto seguro, acessível e confidencial, especialmente indicado para quem ainda não se sente pronto a falar diretamente com um técnico de apoio. Todas as respostas são baseadas em conteúdos validados pela APAV, assegurando rigor, sensibilidade e alinhamento com práticas profissionais.
A componente tecnológica, suportada pelo Azure OpenAI, garante níveis elevados de segurança, qualidade e conformidade. Como refere Pedro Soares, NSO da Microsoft Portugal, “o Azure OpenAI corre tipicamente num tenant da Azure e permite que apenas a APAV tenha acesso à informação. Mais ninguém, nem outros utilizadores, nem a própria Microsoft, têm acesso. A ligação é totalmente controlada pela APAV, desde a encriptação às chaves usadas, garantindo privacidade, segurança, anonimato e, ainda, a residência dos dados na União Europeia”.
Esta abordagem reflete as prioridades da Microsoft em matéria de IA responsável, proteção dos utilizadores e promoção de um ecossistema digital mais seguro e confiável, ampliando a capacidade de organizações como a APAV chegarem a mais pessoas no momento certo.
Como explica Carolina Soares, Gestora da Linha Internet Segura da APAV, “Este chatbot é criado no âmbito do projeto Centro Internet Segura e serve para autonomizar, de certa forma, o trabalho das linhas de denúncia, tornando-o mais eficiente e permitindo-nos focar no que não pode substituir o apoio humano. Toda a informação que neste momento alimenta o assistente virtual, fomos nós que a produzimos, tendo sido retirada e adaptada de trabalho diários que temos vindo a desenvolver no âmbito de muitos projetos e no nosso dia a dia. Preparámos a ferramenta para que consiga sustentar eventuais picos de utilização agora ao início. Espero mesmo que seja uma forma de as pessoas se desinibirem, sabendo que estão a usar uma ferramenta segura, que não se está a alimentar dos dados que ali deixam.”
Foto de Shantanu Kumar na Unsplash