Portugal da Ditadura à Democracia

Portugal da Ditadura à Democracia

Portugal da Ditadura à Democracia. A exposição “PORTUGAL/SAUDADE” de Neal Slavin, promovida pelo World of Wine (WOW), será exibida na sua Galeria de Arte, de 17 de março a 31 de outubro, sendo constituída por 100 fotografias que captou em Portugal. Destas, 50 foram tiradas em 1968, como um dos poucos fotógrafos estrangeiros a captar imagens do país no final desta década, e as restantes 50 entre 2016 e 2019. O artista marcará presença na inauguração da exposição.

Já dirigiu William H. Macy, Laura Dern, Meat Loaf e David Paymer no cinema; fotografou celebridades como Steven Spielberg, Harrison Ford, Barbra Streisand e Phil Collins; expôs em espaços como o Museu Metropolitano de Arte, o Museu de Arte Moderna (MoMA), e o Centro Georges Pompidou. Neal Slavin é um nome sonante da fotografia e do cinema no mundo e estará presente no WOW, quarteirão cultural de Vila Nova de Gaia, para uma exposição que incluirá 50 fotografias inéditas, a cores, do seu trabalho e a sua longa-metragem documental sobre o povo português.

A exposição do artista apresentará 100 fotografias que partem da sua paixão por Portugal, refletida no livro que editou já em 1971, “Portugal”, e na longa-metragem documental que ultimou, agora em março, em Lisboa, de seu nome “Saudade: A love letter to Portugal”, com a colaboração de ilustres figuras portuguesas, nomeadamente, Carlos do Carmo, Mariza e Nuno Gama.

Adrian Bridge, CEO do WOW, explica que “O contexto atual da Europa de Leste colocou muito dos nossos dias em perspetiva, sobretudo para quem nunca viveu situações de guerra ou de opressão. Esta exposição faz-nos refletir sobre uma liberdade que foi conquistada em Portugal. Queremos com ela, uma vez mais, abrir portas à arte e à cultura, trazendo para Portugal e para o Grande Porto exposições de referência mundial, que atraiam não só os turistas que nos visitam, mas também, e sobretudo, a comunidade local”.

Em 1968, no âmbito de uma bolsa Fulbright, Neal Slavin veio viver para Portugal com o objetivo de fotografar ruínas arqueológicas. Rapidamente se apercebeu que o que gostava de fotografar era o povo português e a sua alma, que nessa altura vivia sob o regime de Estado-Novo de António de Oliveira Salazar. Tirar fotos em 1968 era difícil porque as leis proibiam fotografar em transportes públicos, como comboios ou autocarros, ou retratar o povo português de outra forma que não feliz – apenas portugueses cantando ladainhas e semeando os campos.

“Naquela época, de 1967 a 1968, vi o carácter dos portugueses como desesperança, um túnel escuro com apenas um fio de luz. Por fim, em 1974, a luz total inundou o túnel e as pessoas ficaram livres. Nunca esqueci o tempo que estive neste país e passei a admirar a perseverança dos portugueses.  O povo emergiu como o vencedor de uma revolução praticamente sem derramamento de sangue, que orgulhosamente apelidaram de Revolução dos Cravos. Fiquei completamente rendido. A minha admiração pela alma portuguesa é inabalável”, explica o artista.

Cerca de 50 anos depois, em 2016, Slavin regressou a Portugal para registar as diferenças, progressos e desenvolvimentos do país, para fechar o trabalho que considera ser o mais importante da sua vida. Estas 50 fotografias, inéditas de um “Portugal a cores”, representam o autêntico processo de transformação do país. Além dos registos fotográficos, o artista grava “Saudade: A love letter to Portugal”, uma longa-metragem documental que terminou de gravar em Lisboa, em março de 2022, e que retrata o povo português na sociedade contemporânea. 

“A diferença entre as minhas fotografias de 1968 e de 2018 não está no preto e branco ou nas cores. Está na ausência de desespero e na materialização da saudade, essa essência das pessoas. Está na descoberta da minha própria saudade ao fim de 50 anos, o meu próprio sentimento pelas pessoas que tanto amava antes quanto agora”, resume Slavin.

Patente na Galeria de Arte do WOW, de março a outubro de 2022, a exposição “PORTUGAL/SAUDADE” propõe-se ser uma viagem pelas diferenças significativas no país, em 1968 e após 50 anos. O filme-documentário “Saudade: A love letter to Portugal” será, também, transmitido em sessões diárias, pelas 19h, no auditório do museu sobre a região do Porto (PRATA, Porto Region Across The Ages) do WOW.

Para além das 100 fotografias, a exposição incluirá informação sobre o artista e a sua relação com Portugal, bem como uma contextualização histórica do período em que as fotografias foram captadas.

O público poderá visitar a exposição a partir das 12h durante a semana e a partir das 10h ao fim de semana, até às 19h (hora da última entrada), sendo os preços dos bilhetes para a exposição de 10€, para o filme de 5€ e para ambos de 12€. Os mesmos poderão ser adquiridos presencialmente, no espaço ou no site do WOW, e incluem a oferta de um cálice de vinho do Porto.

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