Julião Sarmento, um artista do seu tempo

Julião Sarmento, um artista do seu tempo

Recebemos informação sobre o falecimento de Julião Sarmento, ontem, da Galeria Cristina Guerra, de modo especial os detalhes para quem quiser participar nas celebrações fúnebres. Acompanhava uma nota biográfica para recordar uma vida entregue à criação artística.

“Faleceu em Lisboa, o artista Julião Sarmento (1948), vítima de doença prolongada. 

Estudou Pintura e Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.

Julião Sarmento foi um artista prolífico, multifacetado e de acentuado pendor experimental: a sua obra abrange um vasto leque de meios artísticos, desde a pintura, desenho, escultura, instalação, fotografia, filme, vídeo, som e performance. Na grande amplitude conceptual do seu trabalho é notória a proliferação de inúmeras referências eruditas com origem na literatura e na filosofia, na arte e na arquitetura, na música e no cinema. Esta multiplicidade de referências definiu a enorme abrangência crítica da sua obra enquanto território de imagens, mas também de narrativas e mitologias da nossa época.

Julião Sarmento foi um artista do seu tempo. 

Ao percorrer a sua obra é possível discernir a preponderância de certas atitudes estéticas, numa grande atenção ao presente, desde o período marcado pelas tendências conceptuais, passando pela inclinação pelos dispositivos técnicos da imagem – filme, fotografia, vídeo – até ao regresso ao desenho e à pintura que se verificou na década de 1980, ou à performance e à imagem em movimento. 

Em paralelo, as suas obras evidenciam também um contexto artístico crescentemente permeável aos modelos teóricos – presente nas referências à filosofia pós-estruturalista, à semiologia ou à teoria da imagem – mas também uma intensa poética ligada à literatura. 

Na obra de Julião Sarmento cruzam-se referências à cultura erudita como à cultura popular (nomeadamente ao cinema), bem como uma atenção crítica e permeabilidade em relação à proliferação das imagens contemporâneas.

Figura central da Arte Portuguesa desde os anos 1970, Julião Sarmento foi também o primeiro artista da sua geração a alcançar um amplo reconhecimento internacional, expondo em museus e eventos de grande prestígio no contexto da arte contemporânea: Documenta (1982 e 1987), Bienal de Veneza (1980, 2001) e em 1997 enquanto representante de Portugal), e Bienal de São Paulo (2002). A sua obra está representada em importantes colecções de arte públicas e privadas, onde se incluem o Centre Georges Pompidou (Paris), o Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid), o Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), o Museum of Modern Art (Nova Iorque), o Guggenheim Museum (Nova Iorque), o Art Institute de Chicago (Chicago) e a Tate Collection (Londres).”

Velório
6 de Maio (Quinta-feira)
18h00 – 22h00
Picadeiro Real (Antigo Museu Nacional dos Coches) 
Praça Afonso de Albuquerque, 1300-004 Lisboa
(Estacionamento – Parque do novo Museu Nacional dos Coches, Avenida da Índia nº 136.)

Funeral
7 de Maio (Sexta-feira)
11h00 – do Picadeiro Real para o cemitério do Alto de São João.

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