Stalkerware, uma forma de ciberviolência

Stalkerware, uma forma de ciberviolência

O mais recente relatório da Kaspersky, “The State of Stalkerware 2020”, mostra que o stalkerware apresentou algumas melhorias com a diminuição de casos identificados a nível global, em comparação com o ano de 2019, mas não de forma significativa. Em Portugal, por exemplo, apesar de se ter registado uma diminuição dos números, esta forma de ciberviolência continua a ser um problema. 

Olhando para os dados relativos ao nosso país, observamos uma ligeira diminuição com um registo de 127 utilizadores afetados em 2020, face aos 187 identificados no ano anterior. A pandemia é um dos fatores fundamentais para a compreensão destes números, pois a curva anual dos utilizadores afetados por stalkerware apresenta-se em declínio de março a junho de 2020, período que coincide com o início dos vários confinamentos.

O stalkerware a nível global

O stalkerware representa uma das formas de ciberviolência, sendo um fenómeno global que afeta países de todo o mundo, independentemente da sua dimensão, sociedade ou cultura: a Rússia, o Brasil, os Estados Unidos da América, a Índia e o México estão no topo da lista de países em que a Kaspersky identificou mais casos em 2020. Logo a seguir, encontramos a Alemanha a ocupar o sexto lugar no ranking mundial, mas que também ocupa o primeiro lugar a nível europeu. Irão, Itália, Reino Unido e, por último, Arábia Saudita completam o pódio das dez nações mais afetadas. Já Portugal encontra-se na 12ª posição a nível europeu e, a nível global, na 54ª, com 127 utilizadores afetados.

PaísUtilizadores afetados
1Rússia12389
2Brasil6523
3Estados Unidos da América4745
4Índia4627
5México1570
6Alemanha1547
7Irão1345
8Itália1144
9Reino Unido1009
10Arábia Saudita968
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54Portugal127

“O número de utilizadores vítimas de stalkerware tem permanecido elevado e, todos os dias, são detetados novos casos. É importante relembrar que, por trás destes números, estão histórias reais de pessoas que sofrem, na maioria das vezes em silêncio, e que precisam de ajuda. Por isso, no que toca a esta ameaça, continuamos a partilhar dados com a comunidade, que permitem compreender o panorama mundial, de forma a alcançarmos uma maior sensibilização para este problema. Temos o dever de partilhar as descobertas que fazemos diariamente, para que possamos melhorar ainda mais fatores como a deteção e a proteção, em benefício dos mais afetados pela ciberviolência”, comenta Victor Chebyshev, Investigador de Segurança da Kaspersky.

Em novembro de 2020, a Kaspersky lançou uma ferramenta gratuita anti-stalkerware chamada TinyCheck, para ajudar as organizações sem fins lucrativos a apoiar as vítimas de violência doméstica e a proteger a sua privacidade. Esta ferramenta possui uma característica única, tendo a capacidade de detetar stalkerware e informar os utilizadores afetados sem notificar o agressor. A ferramenta é apoiada pela comunidade de segurança informática, que colabora para a sua atualização contínua.

Para verificar se o seu dispositivo móvel tem stalkerware instalado, a Kaspersky recomenda:

  • Verificar as permissões nas aplicações instaladas: as aplicações de stalkerware podem estar disfarçadas sob um nome falso, com acesso suspeito a mensagens, registos de chamadas, localização e outras atividades pessoais. Por exemplo, uma aplicação chamada “Wi-Fi” que tem acesso à sua localização geográfica é uma característica suspeita. 
  • Apagar as aplicações que já não estão a ser utilizadas. Se a aplicação já não é aberta há um mês ou mais, é provavelmente seguro assumir que já não é necessária; e no futuro, pode sempre ser reinstalada.
  • Verificar as definições de “fontes desconhecidas” nos dispositivos Android. Se as “fontes desconhecidas” estiverem ativadas no seu dispositivo, poderá ser um sinal de que foi instalado software indesejado. 
  • Verificar o histórico do navegador. Para descarregar stalkerware, o agressor terá de visitar algumas páginas web que a vítima desconhece. Contudo, poderá não haver qualquer histórico se o agressor o limpar. 
  • Usar uma ferramenta de proteção fidedigna, tal como a Kaspersky Internet Securitypara Android, que protege contra todo o tipo de ameaças móveis e executa verificações regulares no dispositivo. 

Antes de remover o stalkerware do dispositivo:

  • Não se apresse a remover os itens alvos de perseguição, pois o agressor poderá reparar. É muito importante considerar que o agressor pode constituir um potencial risco de segurança. Em alguns casos, reagir pode agravar os comportamentos abusivos do agressor.
  • Contacte as autoridades locais e organizações de serviços de apoio às vítimas de violência doméstica para assistência e planeamento de segurança. Poderá encontrar uma lista de organizações relevantes em https://stopstalkerware.org/pt/.
  • Considere se pretende preservar alguma prova do ato agressor antes da remoção. 
  • Confie no seu instinto e faça o que lhe parecer mais seguro.

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