Gentlemen’s Talks – Miguel Barbosa

Com uma carreira recheada de sucessos, Miguel Barbosa acaba de juntar ao seu extenso currículo mais um título na sua modalidade preferida, o oitavo, feito inédito em Portugal, que se junta os dois conquistados na Velocidade. 

O piloto que conta com mais de 20 anos de carreira começou por influência da família a dar nos karts os seus primeiros passos no desporto motorizado. Cedo se profissionalizou começando a desenhar um percurso de sucesso no qual continua a somar vitórias. Em 2016 estrou-se nos ralis onde teve também um excelente desempenho. Quatro anos depois regressou ao todo-o-terreno para fazer história.

Mal soubemos da sua vitória, quisemos entrevistar o Miguel, começando com a habitual questão que é nosso apanágio. Sem esquecer a seu trajecto diversificado.

1 – O que é para si um homem elegante?

Não há uma definição única para o que é um homem elegante. Há vários tipos de elegância. Para mim, a elegância é, acima de tudo, uma atitude. Uma atitude correta e positiva, que se revê nos nossos atos, na maneira de estar na vida, no amor pelos outros. Penso que a elegância passa muito por aí, mais do que algo estético ou físico. A elegância vem de dentro. Esse é o maior poder que pode haver.

2- Como descreve a paixão pela velocidade, sendo que começou cedo aos 15 anos?

A paixão pela velocidade vem de família. O maior impulsionador foi o meu pai foi, foi ele quem criou este “bichinho”. Acompanhei o meu pai, desde muito pequeno para os autódromos, para corridas de todo-o-terreno. O meu pai sempre correu e posso dizer que foi ele quem criou esta verdadeira paixão pelas corridas e também pelas motas. As motas de todo-o-terreno são uma das minhas grandes paixões. A minha primeira mota foi uma Honda Mini Trail, muito pequena…ainda hoje a tenho.

Para além do meu pai, também o Ernesto Neves, um dos maiores campeões de sempre de Portugal, meu tio, irmão da minha mãe. Esta paixão pelo desporto automóvel converge vinda de mãe e pai, acaba por estar no sangue. Esta mistura tinha obviamente que ‘cheirar a gasolina’ e ‘dar para os motores’. Depois, de uma forma descontraída, e sabendo que teria de cumprir com os estudos, foi-me dada a possibilidade de começar a correr. 

3- Deserto, Velocidade, Calor, como foram as suas participações no Dakar?

Fiz já três participações no Dakar. É de facto uma prova única. Para mim são os Jogos Olímpicos do Todo-o-Terreno. É no Dakar que estão os melhores pilotos e equipas de todo o mundo concentradas durante 15 dias. É uma prova longa e difícil onde também há muita entreajuda.  Além da parte competitiva há uma vertente humana muito importante. O Dakar é um desafio às nossas capacidades, é uma prova de superação a que se junta inevitavelmente a componente desportiva. 

Tive oportunidade de fazer o Dakar em África e na América do Sul e sinto que ficou a meio caminho esta nossa viagem. Senti que podíamos fazer mais. A nossa última participação foi em 2010. 

4 – Quais as maiores recordações dessas participações?

As recordações são muitas. Lembro-me de conduzir durante 12 horas seguidas, com alguns problemas no meio. Recordo também as longas ligações e de conduzir nas dunas durante a noite. Passei por lugares maravilhosos, cruzei paisagens magnificas que, numa situação normal nunca cruzaria. Atravessámos os Andes onde é só possível passar no verão porque de inverno é intransponível. Atravessámos o Deserto do Atacama, um dos desertos mais duros e áridos que existe. A chegada ao Chile em que subimos uma duna gigante de 3 km, e depois efetuámos a descida em direção ao mar. São tantas as recordações. A estas recordações inesquecíveis juntam-se alguns momentos difíceis, mas sinto que é essa simbiose que torna esta prova tão especial. 

5- Conquista, agora, o oitavo título de campeão de todo-o-terreno, quais são os desafios seguintes?

Estivemos quatro anos afastados do todo-o-terreno, onde fizemos a maior parte da nossa carreira para nos dedicarmos aos ralis. Voltar ao TT e conquistar o oitavo título era sem dúvida o nosso principal objetivo. Objetivo cumprido. Agora vamos ver os voos que se seguem. Para já é tempo de análise e ver o que nos espera.  

6- O TT é um desporto muito específico em Portugal, os patrocinadores têm um papel muito importante na sua realização?

O desporto em geral e o desporto automóvel em particular é caro, os patrocinadores têm um papel muito preponderante. O que acontece é que o desporto automóvel cria muitas emoções e consegue chegar de uma forma especial às pessoas. Em Portugal há uma grande paixão pelo desporto automóvel e em particular pelo todo-o-terreno. Nesse aspeto somos afortunados. Pode-se explorar essa vertente e, como é óbvio, os patrocinadores acabam por ter também noção disso e investem porque conseguem ver o retorno do seu investimento. Obviamente que em situações difíceis, tal como esta fase que atravessamos devido à pandemia, temos de nos reinventar, fazer mais e melhor, para poder continuar a justificar esses investimentos. 

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