Gentlemen’s Talks – Luiz Toledo

Retomamos as nossas Gentlemen’s talks, agora em Setembro, com Luiz Toledo um luso-brasileiro apaixonado pela cidade de Lisboa. Com um percurso profissional incrível, cirurgião plástico voltou definitivamente à capital portuguesa.

Estudou em São Paulo e passou a treinar e especializar-se com o Prof. William Callia, graduando-se em Cirurgia Plástica e Reconstrutora em 1975 e tornando-se membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP. 1976.

Mantendo sua clínica em São Paulo e trabalhando na região do Oriente Médio desde 2001, o Dr. Toledo recebeu uma posição em uma movimentada clínica em Dubai e mudou-se para Dubai em 2006 com sua família.

Dr. Toledo, nos últimos 30 anos, esteve envolvido em palestras e ensino em todo o mundo. Ele escreveu e editou 14 livros. Seu livro “Refinamentos no contorno facial e corporal” foi traduzido em vários idiomas. Seu livro “Lipoescultura superficial”, tornou-se um dos livros de referência sobre a técnica.

Em julho de 2020 ele mudou-se para Lisboa com a família. Ele agora trabalha no Hospital Saint Louis, no Bairro Alto, um dos melhores e mais conhecidos hospitais de Lisboa.

O que faz um homem ser elegante?

Elegância  é um estado mental que mostra a confiança de um homem em tudo o que faz. Não depende apenas da roupa que usa, ou do corte de cabelo ou de saber conversar. Existem pessoas que nascem elegantes. Não importa o trapo que vestem, tudo lhes cai bem. Outros, têm que lutar a vida toda se quiserem parecer meramente normais.  Não há espalhafato no homem elegante. Tudo nele combina e cai bem naturalmente. É o seu estado natural.

Quais são as peças imprescindíveis no guarda-roupa masculino?

Depende da profissão de cada um. No Brasil e em Dubai, eu sempre usei muito linho branco, primeiro por causa do clima, segundo, porque quando me formei era costume todo o pessoal médico vestir-se de branco. Nos EUA os médicos preferem gravata e bata branco, mas, em climas tropicais o branco é mais confortável. E o confortável torna-se elegante.

Mas é claro que há que ter um guarda roupa para cada ocasião. Gostos dos blazers da coleção Purple Label de Ralph Lauren. Sapatos Tods, e os de crocodilo da casa Maylin em Hong Kong (que me mandam por correio, desde que fiz lá o meu primeiro par).

Tenho acessórios particulares, porque fumo charutos e carrego uma carteira com três puros, um cortador Dunhill e um isqueiro Dupont. Uso também um monóculo há mais de 20 anos, que me serve para ler as ementas em restaurantes mais escuros ou para ver melhor as rugas no rosto de clientes que devo operar. Antes de 2001 tinha comigo sempre um Swiss Army Knife, mas depois do ataque às torres ficou difícil viajar com instrumentos cortantes.

Relógios são importantes para mim e coleciono. A coleção foi crescendo durante os 15 anos que morei no Dubai, já que as famílias reais do Golfo adoram presentear com relógios, canetas e perfumes. Também me acostumei lá a usar perfumes à base de Oud, a madeira local.

Tem “role models” na elegância masculina? figuras que o inspirem?

Thomas Edward Lawrence ou Lawrence da Arábia (traduzi para o português a sua biografia), Sean Connery, na fase dos anos sessenta, é sempre uma ótima referência, mas o importante é ser educado, demonstrar interesse pelas pessoas ao seu redor, ser gentil, atencioso, modesto, e ter boa postura. Coisas que a mãe sempre ensina.

A cirurgia plástica foi considerada por muitos e muitas como um luxo ou como um desejo estético. Mas, é mais que isso?

Quando comecei na cirurgia plástica nos anos 70 a especialidade era mesmo mais para ricos e poderosos. Com o tempo, o número de cirurgiões foi aumentando, o número de escolas de cirurgia explodiu no Brasil, e, consequentemente, houve queda de preços nos tratamentos, o que permitiu que a plástica ficasse mais acessível. Quando me mudei de Dubai para Lisboa, percebi que o preço que posso cobrar aqui é um terço do preço de Dubai. Mas o custo de vida aqui é menor, a vida melhor e mais relaxada. Isso compensa. A plástica então deixou de ser luxo e hoje está ao alcance das pessoas de classe média. É claro que a cirurgia reparadora sempre esteve disponível já que financiada pelo Estado.

 Reconstruir um rosto é também uma ajuda na autoconfiança do paciente?

Você é o que você mostra no rosto. A plástica não visa apenas o embelezamento, visa primeiramente deixar as pessoas normais.

Os homens recorrem muito à cirurgia plástica? A que tratamentos específicos?

Sim, Cerca de 20% dos meus pacientes são homens. Desde a operação de nariz, a rinoplastia, a lipoaspiração, para tirar excessos de gordura, ou um aumento de queixo, para deixar o rosto mais masculino, os homens procuram a técnica que vai lhes proporcionar mais bem estar e confiança.

Lisboa é uma paixão para si?

Sim. Meu avô materno, era de Oliveira de Azemeis e mudou-se para o Brasil aos 5 anos de idade. Lá ele fez fortuna no início do século XX, ajudou a construir caminhos de ferro e fez dinheiro com o café. Ele teve 10 filhos e criou uma família numerosa. Não voltou mais a Portugal, mas tinha orgulho de ser português, nunca perdeu o sotaque. Eu me tornei cidadão português em 1995 e aos poucos fui mudando minha vida com destino a Portugal. Fiz exame de revalidação de diploma de médico e de especialista, depois tornei-me membro da sociedade de plástica local. Agora pretendo usar minha experiência aqui em Portugal. Adoro Lisboa. Tudo de Lisboa. Do céu azul, da comida, da bebida, da arquitetura e principalmente das pessoas. Moro num bairro histórico e cada dia descubro algo novo. E fotografo sem parar.

Para conhecer mais o caminho profissional e as intervenções do Dr. Luiz Toledo pode aceder ao site  www.drluiztoledo.com 

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