Gentlemen’s Talks – Norberto Lopes Cabaço

Gentlemen’s Talks – Norberto Lopes Cabaço

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Em plena capital espanhola, Norberto Lopes Cabaço é Editor in Chief e Creative Director da revista online Twissst. Uma publicação que se preocupa em acompanhar as novas tendências da moda e do lifestyle. Por este motivo, Gentleman’s Journal quis saber a sua opinião sobre a moda masculina e o que é a elegância.

 

1. O que faz um homem ser elegante?

Verdadeiramente acredito que há muito pouco que um homem (ou uma mulher) possa fazer para ser elegante; a elegância para mim é um conjunto de variáveis que resultam numa harmonia entre uma determinada pessoa, e o mundo que a rodeia, é algo intrínseco à personalidade de um indivíduo e apenas uma pequena parte resulta, por exemplo, da roupa que veste.

É todo um conjunto de vivências, de (bons) gostos desenvolvidos e apurados ao longo do tempo, é uma forma de viver e de estar, espontânea e natural e que resulta coerente, claro está, também de um ponto de vista estético. Se há poucas coisas que o dinheiro não compra,a elegância, seguramente, é uma delas.

2. Quais são as peças imprescindíveis no guarda-roupa masculino?

Depende da estação, da pessoa em si e do seu dia-a-dia. Fundamentais para mim são as camisas brancas de um bom algodão (egípcio, a ser possível) e um blazer cortado à medida, se optarmos por ter apenas um, os “navy” são sempre uma escolha segura para praticamente qualquer ocasião. O Blazer permite infinitas possibilidades, usado com uns “jeans” e uma T-shirt branca resulta verdadeiramente prático e contemporâneo.

A título pessoal, igualmente imprescindíveis são os acessórios, lenços de pescoço e de casaco, sapatos de pele (quanto mais usados mais cómodos ), e claro está, os relógios, a joalharia masculina por excelência. Cada vez mais a nocão do prescindível no guarda roupa masculino e feminino se reduz…está na hora de reivindicar o espaço que nos corresponde no “closet” lá de casa!

 3. Têm role models na elegância masculina? figuras que o inspirem?

 O verdadeiro termo de elegância encontro-o em diversos momentos na história do século XX, e a massificação deu-se em grande parte ao cinema da época. Nas décadas de 50 e de 60, personagens como Cary Grant, ou Marcelo Mastroianni, dão corpo a um conceito de elegância “moderna”. Havia realmente um cuidado com a indumentária que se coadunava com a forma de viver das pessoas, e era comum ao homem de qualquer estrato social; por defeito não se tinha muito, mas o que se tinha era de uma qualidade extraordinária. Talvez hoje a personagem que possa encarar esse bom gosto seria o actor Matthew Bomer no papel de Neal Caffrey na série WHITE COLLAR.

O look é impecável, a personalidade e a dualidade entre o correcto e incorrecto está na sua justa medida e resulta interessante q.b. A nível de estilo existem claramente personalidades cujo “look” me identifico, talvez pela peculiaridade das peças que seleccionam e que partilho, também pela liberdade com que as usam. Para mim são factores fundamentais para que uma peça resulte pessoal, que no final é isso que se procura.

Por exemplo o Josh Peskowitz, Nick Wooster e o Toni Tanfani defendem uma alfaiataria de autor com um “twissst” pouco convencional com a qual muito me identifico, há um mix entre o mais purista do clássico e parte da personalidade de cada um, o que lhes confere um toque único.

4. Pela sua vasta experiência no mundo da moda, existe uma cultura mundial de elegância masculina?

Penso que não, o mundo de hoje é muito diverso e contempla possibilidades praticamente infinitas e quanto muito poder-se-ia praticar, a nível global, um determinado estilo aliado às tendências da estação, mas que pouco tem de relação com a elegância, da forma que eu a considero. Seguramente era uma ideia a ter em mente se falarmos da sociologia da indumentária masculina de algumas décadas recentes na nossa história, mas nos tempos de hoje o design de moda está mais associado a outros valores como a vanguarda, aos novos volumes e o conceptual, são realidades muito diferentes e que nem sempre caminham de mão dada com a elegância. Não obstante a Moda nos dias de hoje continua a ser um barómetro da sociedade em que vivemos e relata-a de uma forma tão precisa como o fazia anteriormente.

http://issuu.com/twissst/docs/twissst_issue_number_3_pt_edition_

 
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Photo by Elis Porfírio

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