Há doze anos, a Jacob & Co. decidiu acrescentar uma nova dimensão à alta relojoaria: o som. Em 2014, a Maison apresentou o Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater, combinando uma das complicações mais exigentes da relojoaria mecânica — o repetidor de minutos — com um turbilhão voador, dentro de uma elegante caixa redonda.
Mais do que um novo relógio, era uma mudança de linguagem. Até então, as criações da Jacob & Co. tinham sido concebidas sobretudo para serem vistas. O Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater seria o primeiro modelo pensado também para ser ouvido — e esgotaria rapidamente.
Desde então, o trabalho da Maison em torno do som desenvolveu-se em duas direcções. De um lado, os relógios com repetição sonora, capazes de tocar as horas mediante o accionamento de um mecanismo. Do outro, os relógios musicais, que utilizam um cilindro perfurado para reproduzir melodias segundo o princípio de uma caixa de música mecânica.
A evolução seria particularmente expressiva. Em 2017, a Jacob & Co. apresentou o Opera, o primeiro relógio de luxo a combinar um turbilhão de triplo eixo com uma caixa de música suíça equipada com dois cilindros e dois pentes. Dois anos depois surgiu o Opera Godfather, cuja mecânica reproduzia o tema de The Godfather, de Francis Ford Coppola.
Em 2020, o Opera Godfather Minute Repeater reuniu, pela primeira vez, as duas formas de expressão sonora num único relógio: repetição de minutos, turbilhão de triplo eixo e caixa de música. Já em 2026, The Godfather II levou essa abordagem ainda mais longe, integrando duas melodias num único cilindro de caixa de música e criando o primeiro relógio musical de dupla melodia.
Duas complicações, um só movimento Jacob & Co.
A nova edição do Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater regressa às origens dessa história, reunindo novamente duas das complicações mais sofisticadas da relojoaria num único calibre de corda manual: um repetidor de minutos e um turbilhão voador de 60 segundos.
No interior encontra-se o novo Calibre JCCM04, sucessor do JCBM03 original, com melhorias nos processos de fabrico e montagem. O mecanismo é composto por 308 componentes e 29 rubis, funciona a 3 Hz e oferece uma impressionante reserva de marcha de 90 horas.
O repetidor de minutos é activado através de um deslizador integrado na caixa. Quando accionado, o mecanismo utiliza uma série de componentes — incluindo as chamadas snails, responsáveis por codificar horas, quartos e minutos — para determinar a sequência dos sons.
As horas são marcadas por um som grave; os quartos de hora combinam sons agudos e graves; e os minutos restantes são assinalados por sons agudos. A sequência é produzida por dois martelos que golpeiam dois gongos catedral, mais longos do que os tradicionais, permitindo uma maior ressonância e uma sonoridade mais prolongada.
Cada gongo é formado, endurecido, afinado e instalado manualmente, sendo o ajuste final realizado através da audição. Um governador centrífugo regula a cadência da sequência sonora e, nesta nova interpretação, foi concebido para funcionar silenciosamente, eliminando ruídos mecânicos que poderiam interferir com a pureza do som.
Às 6 horas, o turbilhão voador completa uma rotação a cada 60 segundos. A própria gaiola foi redesenhada, acompanhando as melhorias introduzidas no fabrico e na montagem do movimento.

O som transformado em linguagem visual
No Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater, a relação com a música não se limita ao movimento. Também o mostrador transforma o som num elemento de design.
O mostrador em mineral vermelho estabelece a identidade visual do relógio, acompanhado por índices aplicados em ouro rosa de 18 quilates. Às 9 horas surge uma aplicação de clave de sol em ouro rosa escovado — o símbolo que introduz uma partitura musical.
Até os ponteiros evocam o universo do som. Esqueletizados e inspirados na forma de um metrónomo, remetem para o instrumento que marca o ritmo, numa referência particularmente coerente num relógio cujo próprio mecanismo depende de um governador para controlar o tempo da sua sonoridade.
Através do fundo de caixa em safira, a arquitectura do calibre permanece exposta: gongos, martelos e mecanismo de repetição podem ser observados em funcionamento, permitindo que a complicação seja simultaneamente vista e ouvida.
O acabamento inclui Côtes de Genève, ângulos polidos à mão e arestas cuidadosamente trabalhadas — detalhes que revelam a dimensão artesanal por detrás de uma construção profundamente técnica.
Doze anos depois daquele primeiro relógio concebido para ser ouvido, a Jacob & Co. continua a explorar uma ideia rara na relojoaria contemporânea: a possibilidade de transformar o tempo numa experiência sensorial. No Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater, precisão, mecânica e música encontram-se no mesmo espaço, demonstrando que, na alta relojoaria, o tempo também pode ter uma voz.

For twelve years, Jacob & Co. has explored the relationship between fine watchmaking and sound, beginning with the 2014 Palatial Flying Tourbillon Minute Repeater. The Maison’s latest edition revisits this pioneering concept, combining two of watchmaking’s most demanding complications: a minute repeater and a 60-second flying tourbillon.
At its heart is the new hand-wound JCCM04 calibre, composed of 308 components, with 29 jewels and a 90-hour power reserve. Two cathedral gongs and hand-tuned hammers produce the chimes, while a redesigned silent centrifugal governor controls the rhythm. The movement is visible through the sapphire caseback, revealing its intricate striking mechanism.
Sound also shapes the watch’s aesthetic, from its red mineral dial and rose-gold details to the G-clef appliqué and metronome-inspired hands. The result is a timepiece where mechanical precision, craftsmanship and music converge — allowing time to be not only measured, but heard.

