Coexistências: quando a joalharia questiona o nosso lugar no mundo

Coexistências: quando a joalharia questiona o nosso lugar no mundo

Coexistências: quando a joalharia questiona o nosso lugar no mundo

E se a joalharia pudesse ser mais do que um objeto? E se pudesse tornar-se uma forma de pensar a relação entre o ser humano, a matéria e todos os mundos que partilhamos?

É a partir destas perguntas que nasce Coexistências / Coexistences, a 3.ª Bienal de Joalharia Contemporânea de Lisboa, uma iniciativa da PIN – Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea, em parceria com o MUDE – Museu do Design. Depois de Suor Frio e Madrugada, a Bienal regressa à capital entre 19 e 27 de setembro de 2026, com inauguração oficial a 24, propondo um olhar sobre a joalharia enquanto território de reflexão, experimentação e encontro.

Durante nove dias, MUDE, Convento dos Cardaes e Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual transformam-se em diferentes palcos para exposições, instalações, conferências, workshops e encontros que reúnem artistas, curadores, investigadores e profissionais nacionais e internacionais.

Uma joia, muitos mundos

O ponto de partida de Coexistências está na relação entre diferentes formas de existência. A joalharia torna-se aqui uma linguagem para questionar a maneira como habitamos a Terra e nos relacionamos com aquilo que nos rodeia.

Humano e não humano. Natural e artificial. Mineral, vegetal e animal. Digital e espiritual.

Entre diferentes sistemas de conhecimento e imaginários, os artistas são convidados a pensar outros futuros e novas formas de coexistência. “A Bienal pretende questionar as diferentes formas de habitar e partilhar o mundo”, explica Marta Costa Reis, presidente da direção da PIN, propondo uma reflexão sobre o lugar do humano e a possibilidade de construir novas relações com culturas, espécies e ecossistemas.

Lisboa como território de criação

No MUDE, a exposição Coexistências – A Joalharia e a Beleza do Mundo, com curadoria de Marta Costa Reis e Patrícia Domingues, materializa o tema central desta edição.

O museu apresenta também a coleção de joalharia contemporânea de Tereza Seabra, constituída por cerca de 300 peças reunidas ao longo de mais de cinco décadas e recentemente doadas ao Município de Lisboa/MUDE. Nos dias 25 e 26, o colóquio internacional da Bienal reunirá artistas, investigadores e curadores para aprofundar as questões levantadas pelo programa.

No Convento dos Cardaes, no Príncipe Real, O que nos cega / What Makes Us Blind parte de um dos materiais mais desejados da história da joalharia — o ouro — para questionar conceitos como valor e preciosidade, mas também as consequências ambientais e humanas associadas à extração dos materiais.

O claustro recebe ainda, entre 25 e 27 de setembro, a Jewellery Room, com seis galerias portuguesas e internacionais e uma seleção de peças disponíveis para aquisição. No dia 27, a Bienal presta homenagem a Maria da Conceição Moura Borges, Kukas, figura pioneira da joalharia contemporânea portuguesa.

O futuro também se aprende

A dimensão pedagógica encontra no Ar.Co outro dos seus principais espaços. Uma exposição reúne o trabalho de seis escolas internacionais de joalharia contemporânea, numa geografia que se estende do Brasil à Noruega, com curadoria de Catarina Silva, diretora do Departamento de Joalharia do Ar.Co.

O programa inclui ainda masterclasses com Ted Noten e Sofia Björkman, reforçando uma das ambições centrais da Bienal: aproximar a joalharia do design, das artes visuais, do património e de outras áreas do conhecimento.

Mais do que celebrar uma disciplina, Coexistências procura ampliar o seu território.

E, ao fazê-lo, lança também uma ambição para a cidade: afirmar Lisboa como uma referência internacional da joalharia contemporânea.

Porque, nesta Bienal, uma joia não é apenas aquilo que se usa.

É matéria, memória, cultura — e uma maneira de imaginar o mundo que queremos partilhar.

A 3.ª Bienal de Joalharia Contemporânea de Lisboa prolonga-se com um extenso programa de eventos paralelos, que agrega mais de 25 exposições e iniciativas em galerias, museus, igrejas e outros espaços da cidade. O calendário completo encontra-se disponível no site oficial do evento.

Coexistences: Jewellery as a Reflection of Our World

From 19 to 27 September 2026, Lisbon hosts the third edition of the Lisbon Contemporary Jewellery Biennial, Coexistences / Coexistências, organised by PIN in partnership with MUDE – Museu do Design.

Bringing together artists, curators, researchers and international professionals, the Biennial explores the relationship between people, materials and the many worlds we share. Across exhibitions, installations, talks and workshops, jewellery becomes a powerful language for questioning how we inhabit the planet and imagining new forms of coexistence between human and non-human worlds.

The programme unfolds across MUDE, Convento dos Cardaes and Ar.Co, presenting contemporary jewellery from Portugal and abroad, alongside historical collections, educational projects and international encounters.

More than an exhibition of objects, Coexistences positions jewellery as a cultural and critical discipline, connecting art, design, heritage and contemporary thought — while strengthening Lisbon’s position on the international contemporary jewellery scene.

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