Para celebrar os 50 anos da morte de Jean Cocteau, o Teatro da Trindade põe em cena a obra “A Voz Humana” com o apoio do Comité Jean Cocteau | Institut Français du Portugal.
Madame de… espera, impaciente, por uma chamada telefónica. Sabe que virá. Sabe que será uma chamada derradeira. O último telefonema. Através dum fio de telefone, espera recuperar ainda o amante que parte, que a abandona, que se escapa como um fantasma que agora é apenas passado. A realidade dos últimos tempos transformou uma história de amor numa história de memórias e são essas memórias que Madame de… usa para resgatá-lo, trazer de volta, como se o amor fosse um corpo à espera de ser agrilhoado, ou um destino do qual nunca se escapa incólume. Durante uma hora e meia, Madame de… usa todas as palavras possíveis, todos os silêncios e interrupções, num diálogo que se transforma em combate, em confissão, em fervoroso jogo de enganos e mentiras. A voz, elemento primordial, é onde tudo reside. O coração na boca, dirão, sim, o coração na boca, o sangue num fio de telefone que atravessa a cidade de Paris dos anos 30 e que na penumbra da noite bate com a velocidade de uma pequena tragédia doméstica. Mas todas as tragédias são enormes, gigantes para quem as vive. Diante da noite e do abandono, não há palavra que salve um amor que se desfaz. A verdade é apenas uma questão de tom. Como na música. O tom da voz revela, o que as palavras escondem.
Encenação: Vicente Alves do Ó Com: Cármen Santos Assistente encenação: Anaísa Raquel Música original: João Gomes Cenografia: Eurico Lopes Figurino: Atelier Maria Gonzaga Penteado: Leonel – Le Salon Cabeleira: Hairplus Maquilhagem: Paulo Julião Fotografia de cena: Rogério Martins
De 22 de agosto a 8 de setembro
