A cor dos automóveis, uma entrevista. Vermelho, preto, azul? Para muitos condutores, a escolha da cor do seu automóvel é um assunto sério e é assim que deve ser, sublinha Sandra Höner zu Bentrup, designer de cores e materiais da Mazda Research Europe. Ao longo desta entrevista – dividida em duas partes – explica-se o que as cores dos veículos revelam sobre os seus proprietários, tendências que podem ser simultaneamente uma bênção e uma maldição e por que motivo a curiosidade é a chave do design de cores.
Começou a sua carreira na Mazda como designer de Cores e Materiais em 2012. O que mudou desde então?
Na verdade, mudaram muitas coisas. Por um lado, o perfil do design de interiores, das cores e dos acabamentos aumentou significativamente. Anteriormente, era tudo uma questão de design exterior, mas, pensando bem, passamos muito mais tempo dentro dos nossos automóveis do que a apreciar o seu exterior.
Penso que, nos últimos anos, as pessoas começaram a perceber como todas as áreas do design colaboram para criar um objeto verdadeiramente coerente e belo. O modo como a forma e a cor interagem e se influenciam uma à outra, uma perceção fundamental para a nossa linguagem de design Kodo, não era tão amplamente reconhecido há uma década.

No design de interiores, o grau de individualização aumentou drasticamente. Normalmente, os pacotes de design de interiores incluem opções de baixa, média e elevada qualidade. Por exemplo, com o Mazda MX-30 propomos dois estilos de interiores de elevada qualidade completamente diferentes, mais relacionados com os gostos do estilo de vida do que com características técnicas. Esta é uma abordagem que dá ao cliente maior liberdade para exprimir o seu gosto pessoal.
De que forma as cores influenciam a maneira como percecionamos um automóvel?
Do ponto de vista do design, o carácter de um automóvel é composto por três elementos: exterior, interior e cores/acabamentos. Com o Kodo, estabelecemos uma linguagem de design que se centra no movimento: a beleza da forma, imbuída de força e vitalidade, é uma característica essencial da nossa linha atual. O tom “Machine Gray” e a nossa cor assinatura de marca “Vermelho Soul Crystal” foram especificamente concebidas para realçar este carácter. Os reflexos possíveis com estas tintas de elevada qualidade melhoram a mestria de trabalhar as formas dos nossos automóveis. Na sua interação com o meio ambiente, dão vida ao automóvel em termos visuais. Mesmo com o automóvel parado, estas tintas de elevada qualidade criam dinamismo e uma sensação de movimento, combinam áreas altamente reflectoras com sombras profundas, criando uma profundidade muito marcante. Neste caso, a cor ajuda realmente a definir o carácter geral do design do automóvel.

Mas mesmo quando este não é o caso, existe sempre uma interação entre a cor e o carácter que pretende expressar. Contudo, as associações evocadas por uma cor dependem, também, da tonalidade exacta e da qualidade da cor. Vejamos o vermelho, por exemplo: durante muito tempo, esteve essencialmente reservado a automóveis desportivos, por ser uma cor poderosa e emocional, ou a automóveis muito pequenos, exalando um carácter mais jovem e atractivo. A utilização de cores vivas em veículos de maiores dimensões pode fazer com que pareçam demasiado arrojados ou pouco sérios.
Queríamos ultrapassar estes limites e explorar o que o tipo certo de vermelho pode fazer quando aplicado a um automóvel de maiores dimensões, como o Mazda6, por isso, desenvolvemos o “Vermelho Soul”. Quando melhorámos a qualidade da própria cor, subitamente, esta começou a parecer-nos muito sofisticada e elegante, ficando tão felizes com o resultado que o “Vermelho Soul” acabou por se tornar na nossa cor de marca. E as reações positivas que recebemos dos nossos clientes confirmam que, quando criado de forma correta, o vermelho pode atrair muitas pessoas e não apenas os apaixonados por automóveis desportivos. O mesmo se aplica a todas as outras cores: o azul, por exemplo, pode parecer muito sofisticado, mas também muito lúdico. Tudo depende de como a cor é executada.

De que cor é o seu automóvel?
O meu primeiro automóvel era vermelho. Foi construído em 1992, por isso a cor desbotou um pouco em algumas zonas, mas eu continuava a adorá-lo. Desde então, provavelmente já conduzi toda a gama de cores das carroçarias da Mazda. Gosto de trocar com frequência.
Para mim, o que mais se destacou foi o Mazda MX-5 em “Vermelho Soul”, com um painel em vermelho. Foi uma declaração de cor muito clara sendo, além disso, um automóvel fantástico. Agora, mudei para uma escolha mais familiar, um Mazda MX-30 num “Branco” sólido. Para o meu próximo automóvel, estou a pensar optar pelo “Machine Gray” ou pelo “Preto”.