“Chapa 3” – um mal português? Vejamos, não tem de ser exclusivamente português. Porém, hoje na caminhada matinal, passamos pela estação fluvial dos barcos do Barreiro. Onde estava uma manifestação com as suas reivindicações, justamente ou não, possuem esse direito de expressão, graças à nossa constituição. Característica de um país evoluído. Mas, na óptica de quem, por defeito profissional e de formação, olha os fenómenos pelo lado da comunicação, esta manifestação usava a dita “chapa 3”. Vamos fazer uma manifestação e distribuir panfletos. Ora bem, nem precisamos de nos alongar sobre este pequeno e importante detalhe dos panfletos (habitualmente Deus habita nos detalhes). Os leitores já devem estar a pensar o mesmo: COVID e o desperdício.
Ora, a reflexão é, se algo que este ano anómalo trouxe, foi colocar em causa a “chapa 3”. Basta, enunciar alguns casos que são próximos e familiares ao The Gentleman:
– Media Relations: não basta enviar um press release, e não fazer follow up (exercício muito aborrecido para ambas as partes). Porém, dentro do contexto em que estamos, pouca imprensa e poucos profissionais, reatar relações de proximidade é crucial. Não responder a emails que os players enviam, é sinal de desleixo. Uma relação de Media Relations é cuidar e acompanhar seja a informação como a imprensa escrita ou on-line. São os nossos principais companheiros de veiculação da informação. E, minhas caras e meus caros, as redes sociais não substituem nada. Vimos no confinamento e, agora, muito mais. Ler este
artigo.
– Moda: desde a carta aberta de Giorgio Armani, que o mundo percebeu a mudança e a reorientação (voltar a ver o oriente ou o rumo) que esta pandemia trouxe. A expressão “Out of the box” é passado. É outra “chapa 3”. E, em toda esta
renovação, as Fashion weeks são o espelho da mudança. Já se falava em surdina, como os formatos estavam desgastados. Mas, ninguém ousava afirmar. Saber adaptar é deixar a “chapa 3”. Vemos nas semanas que decorrem nos outros países e vamos ver aqui na ModaLisboa. A moda e o consumo, nos entendidos e nos designers, tem uma mudança urgente. Esperemos assimilada pelo público.
Nota: Nos serviços públicos, para facilitar o preenchimento dos requerimentos, existem modelos que também são denominados vulgarmente por “chapas”.
Além disso, é vulgar dizer-se «isso é chapa», ou seja, o trabalho é fácil e repetitivo.
Esta expressão tem que ver com a alta produtividade da indústria tipográfica, que reproduz enormes quantidades de cópias a baixo preço.
Todos estes factores podem ter contribuído para usarmos expressões como “chapa 3” para identificarmos os trabalhos repetitivos.’