Luxo que não grita

Luxo que não grita

Falar da Maison Takuya, recorda-me sempre das palavras de um professor de retórica que tive na faculdade, que ao falar da força da palavra dita, dizia que antigamente quando o argumento era mais fraco, o pregador devia pregar com mais força e mais alto.

E porquê me lembrei disto? Poderia alguém perguntar. Porque normalmente, as marcas fazem o contrário, enchem a sua linguagem estética de “gritos” ou seja logótipos e branding “gritante” para justificar o seu lifestyle e o encanto que exercem sobre os consumidores.

Na Maison Takuya, fundada em 2008, a estética e no discurso criativo da marca é muito ao contrário, apostar na não existência de logos ou sinais exteriores faz parte da filosofia e do desejo do seu designer, François Russo. Ele próprio, um minimalista de gestos e palavras. Foi o que percebemos na entrevista que fizemos.

Maison Takuya nasce da fusão de influências e técnicas recolhidas em todo o mundo para criar artigos de pele de luxo da mais alta qualidade. Sem dúvida, que no seu design podemos observar várias influências do oriente (Japão) com as suas linhas depuradas e limpas. Esta mostra orgulho em continuar uma tradição de artesanato manual em leather com produtos de excelência, todos produzidos no atelier por artesãos altamente treinados do início ao fim, para entregar tudo no melhor do detalhe.

Numa entrevista exclusiva, ouvimos da boca do designer e fundador da casa, as suas exigências sobre não usar máquina de cozer e tentar fixar um produto a um artesão para ele cuide dessa mesma peça do princípio ao fim.

Durante a entrevista, mostrou-nos uma espécie de “mobile office” ou seja, um escritório móvel para levar de viagem, inspirado num sistema japonês, um organizador à imagem do próprio designer.

Quando levantei a questão sobre a questão de não haver logo nos seus produtos, a resposta imediata, ele sentia uma certa fatiga de logos (logo fatigue) e de brandings, acrescentando que o verdadeiro luxo não é mostrar o que se usa e as marcas que se compra mas está relacionado com algo perfeitamente manufacturado e que nos dá uma satisfação pessoal.

Não tem nada haver com possuir algo para justificar que temos luxo ou que somos cool. Afirmou mesmo que está satisfeito por ter uma clientela fidelizada neste mesmo sentimento, produtos sem reconhecimento exterior mas de extrema qualidade. Colecções falam por si mesmas, os pontos bem executados, a alta performance dos objectos são o essencial para o reconhecimento visual da marca.

De certo modo, para o fundador, as pessoas que necessitam de mostrar muitos logos e sinais exteriores não possuem uma grande auto-estima. Têm de mostrar que são bem sucedidas. Porém, é ao contrário, se és bem sucedido não tens de mostrar constantemente que possuis isto ou aquilo.  A lógica é uma psicologia simples; Se estás auto-convencido, não é show off mas se estas bem servido por uma peça, estás confortável contigo e com a função.

O desejo para o futuro é que “O nome, o nome da minha marca será garantia de qualidade daqui a 60 anos e não de show of”, “sabe quando vamos a um jantar e vemos uma série de kelly bags “estacionadas” como carros e penso que estamos já são demais e demasiado óbvias.” desabafou François Russo, “Vamos voltar aos princípios do luxo….” arrematou.

Em relação à relação emotiva dos compradores, o mesmo afirma que as peças que nós desejamos ou que nos atraem, são peças que trazem consigo história ou estórias da nossa vida, por exemplo, ter atração por objectos ou carteiras em forma de envelope revela o nosso desejo pelas recordações que um envelope traz consigo, novidades de alguém querido ou recordações de tempos idos. No dizer de François Russo, as peças trazem consigo memórias. Comprar algo é uma evocação da mente para o comprador.

Para o designer, cada carteira ou mala, deve ser uma peça com estrutura para não tombar, isto é algo que vem da formação anterior de design de interiores de François Russo. Quando pensa uma carteira, tenta manter o equilíbrio entre uma peça estruturada mas soft, sem ser rígida. Quando desenha uma peça, seja ela carteira, mala ou o que seja, François Russo tem sempre em mente esta noção de que estamos nesta Terra de modo temporário e nesta situação viajamos para muito lado. Por isso, imagina uma carteira ou mala que seja o nosso mundo pessoal e uma forma de organizar e um modo de transportar o que é essencial de um lado para o outro sem perder a nossa vida. Como uma tentativa de organizar, seja onde for, a nossa vida continua nesta condição temporária.

Linhas simples e puras não envelhecem e duram mais tempo, não aborrecem quem compra e tornam-se clássicos intemporais. De certa forma, é isto que a Maison Takuya deseja oferecer aos seus seguidores e compradores.

Encontramos esta marca na Boutique dos Relógios Premium na Avenida da Liberdade

(artigo original da revista Fora de Série)

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