
ODE MARÍTIMA de Álvaro de Campos
Por Diogo Infante (texto) e João Gil (música)
Diogo Infante interpreta a “Ode Marítima”, um dos poemas mais marcantes (e delirantes) de Álvaro de Campos (a par da “Ode Triunfal”), e assume o comando de um paquete que nunca chegou a entrar no cais
É notória a decadência como sensação na “Ode Marítima”, a qual se afigura como soturna e debruçada sobre si mesma. Apesar disso, é um poema marcado pelo ritmo rápido e agitado, refletido num “volante” que é mencionado 11 vezes no poema. A velocidade cresce lentamente até atingir um clímax, abrandando no final.
O filósofo e Pessoano José Gil, considerava Álvaro de Campos como o “poeta do quotidiano metafísico”: a partir do mais insignificante pormenor cria um poema capaz de conter a vida e a morte. É precisamente o que acontece na “Ode Marítima”: a visão longínqua de um paquete, ignorado pela maior parte dos homens, é suficiente para construir uma monumental ode em que se insinuam todos os pontos relevantes da sua “filosofia”.
Num momento em que a «Obra Completa de Álvaro de Campos» chega às livrarias pela Tinta da China, dá-se a feliz coincidência da reposição desta peça no São Luiz. Por outras palavras: mais uma oportunidade que Diogo Infante nos oferece de podermos “sentir tudo de todas as maneiras”.
Teatro São Luiz
Rua António Maria Cardoso, 38
4ª a sábado às 21h; domingo às 17h30
De 25 setembro a 4 outubro
Preço: €12 a €15 (com descontos: €4 a 10,50)

GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE
De Tennessee Williams
Jorge Silva Melo (encenação)
Brick e Margaret vivem um casamento ensombrado pelo álcool, pela ausência de filhos, por mistérios e por mentiras. Na mansão dos Pollitt prepara-se a festa de aniversário do patriarca, que acaba de sair do hospital. Durante a noite, tanto Big Daddy como Margaret indagam da relação de Brick com Skipper, seu companheiro de futebol que se terá suicidado pouco tempo antes e cuja morte parece ser a fonte do alcoolismo de Brick.
Cansado das mentiras que inundam a sua vida, Brick revela ao pai a doença que lhe diagnosticaram, um cancro fatal. Enquanto o irmão de Brick e a sua mulher Mae discutem a herança depois da inevitável morte do pai, Big Daddy e Brick encontram-se para uma conversa final. Todas as personagens vivem uma mentira. E, na conclusão, é mais uma vez uma mentira (a possível gravidez de Maggie) a abrir os horizontes da família.
Artistas Unidos
Interpretação: Catarina Wallenstein, Rúben Gomes, Américo Silva, Isabel Muñoz Cardoso, João Meireles, João Vaz, Tiago Matias, Vânia Rodrigues, Rafael Barreto, Inês Laranjeira e Margarida Correia
Centro Cultural de Belém
25 a 30 setembro
5ª a 3ª às 21h, domingo às 16h
Preço:11€ a 13,5€
Por Tiago Salazar
“Este curso destina-se a toda a classe de viajantes, da económica à executiva, dos turistas de sofá aos andarilhos radicais, dos que preferem fazer quilómetros em linhas de papel a embarcar numa estação ou apeadeiro. Aqui não se requer taxas de aeroporto nem se cobra excesso de bagagem. Basta a vontade de chegar aos outros, e sobretudo a disponibilidade do olhar”.
Conteúdos do curso:
– História abreviada da literatura de viagens
– Autores portugueses do século XVI aos nossos dias
– Considerações teóricas e técnicas de escrita
– Escrita e Fotografia no terreno
– As fases da escrita (do bloco de notas até ao livro)
– 1ª linha: uma questão do pensamento-sentimento
– Progressão e desenlace
– O que não é a escrita de viagens
– O improviso é premiado
– Escrita, reescrita e revisão (a arte de contar o que se viveu para contar)
– Os três “tês”: técnica/talento/trabalho
– Problemas, erros, sintaxe
– Recursos (notas bibliográficas, sites, blogues, etc)
– A fotografia de viagem
O plano de trabalho proposto é o seguinte:
História da Literatura de Viagens (objectivo: divulgação da literatura de viagens, grandes autores do mundo: considerações sobre as obras de Heródoto, Gustav Flaubert, Henry Miller, Lawrence Durrell, Orhan Pamuk, entre outros)
Autores portugueses do século XVI aos nossos dias (objectivo: história das grandes narrativas de viagens em língua portuguesa; considerações sobre as obras de Fernão Mendes Pinto, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz, Raul Brandão, Ferreira de Castro, entre outros)
Considerações técnicas da escrita de viagens (objectivo: como se escreve um texto de viagens? da narrativa à crónica, da reportagem à poesia)
A fotografia de viagem (objectivo: noções básicas de fotografia de viagens; o retrato; paisagens)
Espaço Pessoa & Companhia
Calçada de Santana, 177
4 e 5 de outubro, das 10h30 às 14h
Preço: 30€l
