“De Olhos Em Bico!” – crónicas automóveis

“De Olhos Em Bico!” – crónicas automóveis

O meu dia começa com um leve sorriso de quem sabe o que está para vir. Um sorriso e um esgar de dor porque ao espreguiçar devo ter dado um mau jeito nalguma articulação. Tenho andado a dormir mal, sabem? Deve ser da almofada que, claramente, não é a certa para mim. Já o motivo do sorriso, esse, é mais que acertado. São oito da manhã. Normalmente a esta hora estaria, ainda a dormir, até porque, para mim, acordar a esta hora deveria ser um castigo reservado ao piores criminosos da sociedade. Mas este dia é diferente.

Tinha dito à minha mãe que, hoje, a levaria eu ao trabalho porque tinha um motivo especial para o fazer.  Normalmente ela vai de autocarro. Mas não é um autocarro normal. É um fretado especificamente pelo organismo público para o qual ela trabalha. Sim, pode dizer-se que a minha mãe tem motorista particular. Partilha-o é com outros cinquenta funcionários. A minha mãe é muito boa pessoa!

Lavo a cara, visto-me e saio de casa. Falta-me meia hora para a ir buscar mas tudo é desculpa para ir buscar o carro “lá a baixo”. Saí do prédio, desci as escadas da rua para a rua que fica “lá a baixo” e, depois de umas breves dezenas de passos, chego eu ao objectivo. Meto a mão ao manípulo da porta e o carro destranca sem eu sequer ter tocado na chave.

Abro a porta, sento-me e fecho a porta. É uma porta fantástica. Ponho o cinto, piso o travão e carrego no botão “start”. Ouve-se um curto espirro e depois um ronco grave como se, lá fora, um urso estivesse a fazer o som de um motor. Tanto o travão como o cinto e o botão são, também, fantásticos. Do som nem se fala. Mas é só a ligar, porque depois fica suave como se a tormenta já tivesse passado.

Meto as mãos ao volante e arranco com o carro. Dois minutos depois já estou em frente ao meu prédio a estacionar. Saio do carro, dou uns quantos passos, paro e olho para trás. Volto a sorrir. Tal como quando acordei na minha cama mas, desta vez, é por estar a olhar para ele e não por estar a imaginá-lo. É um Volvo S60 T6 e é absolutamente fantástico.

Podia falar da cor preta brilhante, das jantes de 19 polegadas e dos dois escapes metálicos que sobressaem junto do pequeno difusor traseiro e, até, do interior cuidado e de qualidade superior onde se destacam o volante desportivo e toda a envolvente quase espacial… e falei! O conjunto R Design eleva o nível deste Volvo a um patamar diferente. Um patamar que nos deixa a sorrir só de saber que o vamos conduzir. É verdade que o motor é o T6 de 4 cilindros, 2 litros turbo e, não, o 6 cilindros de 3 litros bi-turbo da versão Polestar mas a diferença é de, apenas, trinta e poucos cavalos e, confesso, 306 são mais que suficientes para levar a minha mãe ao trabalho. Volto a sorrir e entro em casa.

Passado um pouco, já a caminho, reparo que este carro desliza bastante bem e fica-se com a sensação de que se está a rolar sobre gelo. Só quando chego a um curva é que percebo que não só não estou, como ele se agarra bastante bem. Saio da curva e “prego a fundo”! A minha satisfação em ouvir o ronco do motor e da velocidade que rapidamente atinjo é interrompida por um pequeno berro que me diz “vai com calma que eu não gosto de brincadeiras”! Porra! Tinha-me esquecido que a minha mãe ia comigo e, confirmo, ela não gosta muito de acelerar nos carros. Ou em lado nenhum. Na realidade, tem a carta há mais de quinze anos e quase nunca conduziu.

Cá está! Mais lento do que isto não dá. Deixo-a no trabalho, despedimo-nos e sigo a minha vida. Se a minha mãe gostasse tanto de carros como eu, ia ficar roída de inveja. Como não gosta, fica só a olhar para o carro enquanto eu me afasto. Observa a beleza dele, certamente. Dali sigo para Sintra, onde decidi tomar o meu café. Já tinha comido o pequeno-almoço em casa e só me faltava um café para ficar “compostinho”. Estaciono o carro, entro num café e vou para a esplanada bebê-lo. Pedi, também um pastel de nata. Gosto muito deles, na verdade, e estava a apetecer-me. Caramba – pensei – é uma pequena indulgência e já que estou num T6 com mais de 300 cavalos, acho que mereço. Como se o facto de estar com aquele carro, ou outro qualquer, fosse o que me autorizasse a comer um pastel!

Acabei, paguei, e segui. Decidi ir dar um passeio à beira-mar e, já que estava por terras de Sintra, nada melhor que ir ao Cabo da Roca. As curvas são fenomenais, tem subidas e descidas e diferentes tipos de pisos até lá chegar. Ligo o carro e acelero estrada fora. A paisagem é linda, como sempre. O cheiro do Parque Natural Sintra-Cascais é verde e fresco. Sentem-se aromas a pinheiro, eucalipto, gasolina… ahh, tão bom! Dá para perceber que este carro não é um Volvo normal. São quase 310 cavalos que nos empurram para a frente assim que saímos de uma curva e todos os add ons do kit R-Design ajudam-nos a manter o carro dentro da estrada quando curvamos ligeiramente mais depressa que o normal. Percebo, também, que este carro não é só um desportivo. A base, não nos esqueçamos, é um sedan com qualidade e classe. É um carro que muitos executivos gostariam de ter e que ia deixar muitas famílias mais que satisfeitas com a escolha.

Esta versão é “ligeiramente” mais excitante. Vamos por as coisas nestes termos: este é o carro que faria qualquer pai dizer “Sim, filho, é claro que te vou buscar à discoteca quando saíres de lá de madrugada todo encharcado de álcool!” ou “Sim, filho, o pai vai-te buscar à faculdade. É preciso levar dois colegas a casa? Claro! A que horas é que sais?”. Não só terá mais uma oportunidade de o conduzir, como é capaz de impressionar os amigos e amigas do filho. Todos os pais adoram fazer isso. Algo faz com que os pais percebam sempre “impressionar”, quando aquilo que os filhos dizem é “envergonhar”. E já que falamos de auto estima, devem haver pessoas que tratam melhor este carro do que a eles próprios. Que durmam com ele, até! A minha mãe gosta muito de contar às pessoas que, quando eu era miúdo, gostava de dormir com as coisas novas.

Lembro-me de dormir com uns ténis de corrida cor de laranja e cinzento. Gostei tanto deles que, uns meses depois, estavam tão gastos que a sola saiu e usei a carcaça deles como chinelos de casa. Isto até o meu pai me ter chamado a atenção para o facto de isso ser ridículo e eu já ter 15 anos. Adorava poder dormir com este carro, mas já percebi que ele não é muito bom para fazer conchinha. No entanto, é muito bom para aproveitar em curva. Prefiro as que são largas, já que a tracção dianteira não convida a grandes loucuras, ainda que o Corner Traction Control me ajude naquelas em que eu me esqueço que o carro vai rápido demais e que eu sou só um homem normal.

Pouco tempo depois, cheguei ao Cabo da Roca. E valeu a pena. Não pela vista, porque estava enublado, mas porque estava lá uma excursão de japoneses e é super divertido vê-los a fazer “japonezisses” juntos a monumentos.

Rafael Aragão Rodrigues

Agradecimentos à Volvo pelo acesso a este modelo.

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