José Cabral, autor do site O Alfaiate Lisboeta, atento às tendências de rua, começou um projecto novo J.Lisbon. Para conhecer melhor este novo projecto, o Gentleman’s Journal colocou algumas questões ao seu autor. Quisemos saber a sua opinião sobre o homem português e o essencial para ser elegante tendo em conta o seu poder de observação.
- O que faz um homem ser elegante?
A elegância é uma noção de harmonia estética que, apesar de estar muito ligada à identidade visual não se esgota nela (a índole ou o tom de voz de um homem interferem, por exemplo, na percepção estética que temos dele). E essa harmonia, falemos nós de homens ou mulheres, guia-se em parte pelos nossos padrões culturais. O ideal tipo de elegância masculina na Rússia não é, seguramente, o mesma que existe, por hipótese, em Portugal.
- Quais são as peças imprescindíveis no guarda-roupa masculino?
Não gosto de dogmas. Dou-lhe um exemplo muito simples. Há mais de 3 anos que me despedi de um banco e, desde esse dia, são raros as vezes em que uso camisa. E sou, ainda assim, o primeiro a concordar que camisa é uma das referências essenciais do imaginário masculino, no que ao vestuário diz respeito.
- Tem role models na elegância masculina? Figuras que o inspirem?
Tenho imagens na minha cabeça. De homens anónimos. Sou da geração “real people”, “street style” e “social media”. Como se não bastasse não ligo puto a figuras públicas. Se me perguntar quem é a mulher mais sexy do mundo vou pensar imediatamente em duas ou três anónimas com quem me cruzo de tempos a tempos. E foi por isso também que todos os (supostos) modelos do J. LISBON são homens e rapazes que havia fotografado para O Alfaiate Lisboeta. Porque eram simplesmente homens com sentido estético. Homens que, quando lhes estivesse a indicar aquilo que teriam de vestir, me pudessem aportar valor com uma qualquer sugestão.
- Existe uma cultura em Portugal de elegância? Pela sua visão, está em crescimento?
Não obstante a questão da diversidade cultural, a preocupação com a imagem é uma tendência global que nos conduz invariavelmente para expectativas e percepções sobre o que é ser elegante. Se, por hipótese, inserirmos #elegance no Instragram, irão aparecer fotografias com origem em Portugal, Itália, Congo, Filipinas, Uruguai ou Canadá. A imagem é um tema incontornável na cabeça da esmagadora maioria da população mundial e a elegância, provavelmente, o termo chave que parte desses milhões e milhões de pessoas buscam avidamente. Em Portugal, como um pouco por todo o mundo, há uma cultura de elegância e concordo que continuará a crescer.
- O que falta aos homens portugueses para serem mais elegantes? Nota uma buscar dessa exigência no vestir tendo em conta o seu novo projecto?
Os portugueses estão mais elegantes essencialmente porque estão também menos preconceituosos. Há 5 anos era raríssimo ver, em Portugal, um homem com um “pocket square” (lenço de bolso) porque, para grande parte deles, pareceria uma excentricidade. Por ouro lado é possível ver, quando o frio aperta, mais homens de gorro (sem receio de associações infelizes a, por exemplo, temas como a marginalidade). Da mesma forma que, até há pouco tempo, não víamos executivos de mochila às costas por, eventualmente, recearem parecer excessivamente joviais ou descontraídos. É por isso que os padrões culturais são tão importantes: porque têm o poder de “inventar” ou “fazem desaparecer” ideias, algumas delas pré-concebidas.
Por outro lado noto que há outro dogma a ser derrubado entre os homens: a percepção de que a elegância está, necessariamente, ligada à formalidade. E esse espaço que se abre coincide com a identidade visual do J. LISBON. Orientada para homens com cultura visual e sensibilidade estética que lhes permita buscar e encontrar a elegância em momentos casuais.