
Nuno Benito tem 48 anos e é o Director criativo da Carpet Diem Rugs, um projecto partilhado com a sua sócia e amiga Carmo Amaro.
Quem passa pelo n. 74 da Rua D. Pedro V, bem no coração do Príncipe Real, não fica indiferente à enorme montra que deixa antever de imediato um espaço moderno e cosmopolita, onde os tapetes são os protagonistas. No chão, nas paredes ou empilhados para serem folheados como um livro. Agradáveis ao toque e monopolizadores do olhar, os tapetes fazem jus à criatividade da dupla, pela variedade das cores e riqueza dos padrões.
Toda a generosidade e diversidade do espaço encontram um paralelismo perfeito com o percurso e com a atitude que o Nuno assume perante a vida. Filho de pai espanhol e de mãe portuguesa, passou pelo curso de Gestão, mas a sua criatividade só encontrou escape no curso de Design de Moda tirado em Madrid. Teve uma marca de roupa de senhora e uma experiência na restauração. Enquanto tudo isto, a energia nunca lhe faltou para ser instrutor de fitness. Por agora, persegue o objectivo de democratizar o tapete, mas o seu empreendedorismo pode levá-lo a outros desafios. Desde que exista paixão.
A serenidade e tranquilidade que transmite, não interferem com a sua visão crítica e incisiva que tem da sociedade. Crise? Refere, acima de tudo, a crise de valores.
Não obstante a sua forma descontraída de estar e de vestir, a conversa deixa adivinhar uma sofisticação discreta, bom gosto e atracção pelo belo, características em muito enriquecidas pelos exemplos dos seus pais. Quando questionado sobre o seu conceito de “gentleman”, não hesita em referir as imprescindíveis personalidade e atitude consonantes com uma boa conduta, empurrando para segundo plano o aspecto exterior. Enfrenta a dificuldade em nomear nomes e refere Eric Banna, Noah Mills, David Beckam e Olivier Martinez.
Na dança, aprecia Olga Roriz, Pina Bausch e Jiří Kylián, o qual utiliza frequentemente nas suas coreografias a música de Mozart, outra das suas paixões. Antes de dormir, gosta de ler revistas de decoração, de temática animal e de moda. Emilio Pucci e Missoni lideram as suas preferências neste último universo. Mas quando falou do Magoo, o seu cão, foi quando os olhos mais brilharam.
Questionário Proust
1) Qual a sua característica / traço de personalidade mais marcante?
Genuinidade e tranquilidade de saber quem sou
2) Qual a qualidade que mais aprecia num homem?
Integridade na sua essência e coerência na atitude
3) E numa mulher?
A ternura, a generosidade e o sentido de humor
4) Qual a qualidade que mais valoriza nos seus amigos?
Lealdade
5) Qual o seu principal defeito?
Preguiça para tanta coisa
6) Qual o seu ideal de felicidade?
Amar e ser amado
7) Qual a sua ocupação favorita?
Viajar
8) O que representaria a maior das tragédias?
Deixar de sonhar e de ser livre
9) O que gostaria de ser?
Pianista
10) Qual o país onde gostaria de viver?
Austrália
11) Quais os escritores favoritos?
Auster, Suskind, Garcia Marquez, Miguel Esteves Cardoso… (neste momento leio “O Anão” de Pär Lagerkvist)
12) E quais os poetas?
Garcia Lorca, Baudelaire, José Luis Peixoto, Maria do Rosário Pedreira
13) Qual o herói de ficção favorito?
Astérix e Tin Tin
14) Qual a figura histórica com quem mais se identifica?
São Francisco de Assis
15) Qual o compositor favorito?
Mozart
16) Quais os pintores favoritos?
Gerhard Richter, Edward Hopper, os retratos de Modigliani e as pinturas pré-rafaelistas de Alma Tadema e John Waterhouse
17) O que mais desgosta?
O deslumbramento, a inveja e a hipocrisia
18) Qual o dom natural que gostaria de ter?
Dominar um instrumento musical, o piano!
19) Como gostaria de morrer?
Adormecer a pensar que não ficou nada por fazer e acordar do lado de lá sem ter dado por isso…
20) Qual o seu lema de vida?
Vive e deixa viver, carpe diem
Entrevista e texto de Rui Manuel de Sousa