
Ricardo Carriço sempre foi considerado ao longo da sua carreira como um elegante homem, modelo de topo durante a década de 80 e princípios de 90 em Portugal, fundou em 1985 os “Ibéria”, banda de música, e deu-se a conhecer através da televisão como apresentador do programa informativo da RTP2 Lusitânia Expresso. Ligado maioritariamente à televisão desenvolveu uma carreira notável como actor, foi intérprete nas séries televisivas Claxon e A Grande Mentira, começando a aparecer regularmente em novelas como “Cinzas”, “Verão Quente”, “Filhos do Vento”, “A Grande Aposta” entre outras, e mais tarde nas séries “Major Alvega”, “Médico de Família” ou “Querido Professor”, ou mais recentemente em “Flor do Mar”, “Laços de Sangue” ou “Dancing Days”.
Regular no teatro, estreou-se em Ricardo II, de William Shakespeare, sob a direcção de Carlos Avilez, após o que integrou o elenco de Odeio Hamlet, encenado por Diogo Infante. Foi também dirigido por Fernanda Lapa, Jorge Silva Melo, Maria Emília Correia, Rui Mendes ou Pedro Varela. A sua ligação ao teatro assume hoje uma dimensão mais ampla. Desde que, juntamente com a escritora Maria Helena Torrado, trouxe a sede da associação Confluência para Cascais, Ricardo Carriço passou a desempenhar também os papéis de encenador e formador.
Porém, esta elegância foi reconfirmada pela opinião dos leitores da revista Caras no mês passado. Num jantar elegante no restaurante Aura, na praça do comércio, foi lhe entregue este reconhecimento. Não podíamos deixar passar esta ocasião sem o entrevistar e perguntar o que é isso da elegância.
1 – O que é um homem elegante?
Não sou capaz de responder directamente a essa pergunta mas sei que elegância é lutar pelo ideais e modificar o mundo para o melhorar e fazê-lo crescer. Elegância é realização dos projectos em que estamos e isso reflecte-se nas coisas que fazemos. É um estado de espírito que se espelha na maneira como nos relacionamos e na relação com as outras pessoas. Elegância é equilíbrio que encontramos quando estamos de bem connosco.
2- O que é indispensável numa guarda-roupa masculino? No seu guarda-roupa?
Bom calçado, um bom par de sapatos. Sempre acessórios de qualidade como um cinto. Para mim, tem tudo haver com o que falei anteriormente, equilíbrio. Tento ter sapatos de qualidade. Um bom blazer e tento seguir uma regra de cada situação, sua “farda”. Embora eu seja um clássico com um toque descontraído.
3- Tem role models no que toca à elegância masculina?
Tenho um, o meu o avô paterno, que sempre me puxou por isso. Com algumas “regras” caseiras que não fizeram mal, ao longo do tempo. Chamava sempre a nossa atenção para pormenores e “modas”, quando apareceram as primeiras calças de ganga rasgadas, proibiu-as dizendo “só calças de fazenda”. Coisas próprias mas que foram estabelecendo um olhar sobre o que íamos vestindo e as ocasiões próprias. Também me transmitiu um cuidado com os sapatos, “um homem tem de ter sempre sapatos impecáveis e cabelo bem cortado”. Foi uma presença fantástica para todos nós.
4 – O homem português está mais preocupado com a aparência?
Devo dizer que todo o homem da Europa está mais desperto para o cuidado exterior. Da aparência. O exemplo do creme para a cara, os hidratantes etc são, desde há anos, um mercado masculino emergente até por causa dos conceitos com que somos bombardeados. Embora, até nisso me recordo do meu avó paterno com quem, desde cedo, aprendi os cuidados com o rosto. Recordo me de o ver, a seguir a fazer a barba, colocar o tónico e aplicar o tradicional creme nivea.